41º Conecef aprova pauta específica para a Campanha Nacional 2026

O 41º Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef) terminou nesta sexta-feira, 19, com a aprovação do plano de lutas e da minuta de reivindicações específicas para a Campanha Nacional dos Bancários 2026. O evento aconteceu na cidade de São Paulo, entre os dias 17 e 19 de junho, com participação de 281 delegadas e delegados de todo o país.
Ao longo do congresso, foram debatidas 583 propostas apresentadas pelas bases nos encontros estaduais e regionais. As reivindicações aprovadas abrangem temas centrais para o futuro da categoria e da própria Caixa, como a defesa do banco 100% público, o fortalecimento do Saúde Caixa, a melhoria das condições de trabalho, a valorização dos empregados, carreira, remuneração variável, Funcef, igualdade de oportunidades, equidade racial e combate a todas as formas de violência e assédio.
Para o vice-presidente da Apcef/ES, André Tosta, “o Conecef continua sendo um espaço privilegiado para sintetizar as demandas da categoria e unir os empregados para uma Campanha Nacional forte”.

Entre os destaques, André aponta a defesa da Caixa pública e do Saúde Caixa, que continuarão sendo motes do movimento em 2026, além de novos temas que demandam atenção da categoria, como os programas de renda variável.
“Entendemos que renda variável baseada em metas individuais é um motor de adoecimento, um processo de chantagem aos empregados pela remuneração, mas não podemos nos ausentar dessa discussão. Todo e qualquer programa que influa na vida dos empregados tem que ser debatido com as entidades representativas para a gente poder mitigar os impactos e, principalmente, assegurar que esses programas não se tornem ferramentas de assédio moral”, criticou André.

Veja os principais eixos de debate
Defesa da Caixa pública e valorização dos empregados
As delegadas e os delegados reafirmaram que o banco deve ser fortalecido como instrumento de desenvolvimento econômico e social, responsável por políticas públicas fundamentais para a população brasileira, como habitação, crédito popular, saneamento, infraestrutura, programas sociais, gestão do FGTS, loterias e inclusão bancária.
As propostas aprovadas também apontam para a necessidade de recomposição do quadro de pessoal, fim do fechamento de unidades, melhoria das condições de atendimento, fortalecimento da rede física e respeito à missão pública da Caixa. Para o movimento sindical, não há Caixa forte sem valorização de quem trabalha no banco.
Coletivo Caixa Preta apresenta manifesto por equidade racial
Durante o 41º Conecef, o Coletivo Caixa Preta apresentou o manifesto “Movimento Caixa Preta: um manifesto dos empregados negros da Caixa Econômica Federal”, com propostas para enfrentar o racismo estrutural, ampliar a representatividade negra e garantir igualdade de oportunidades dentro do banco.
O documento reivindica a adoção de políticas efetivas de promoção da diversidade racial, com plano estratégico, divulgação de resultados, programas de mentoria e formação para preparar empregados negros para progressão na carreira e assunção de cargos de liderança. Também cobra transparência nos processos de promoção e ascensão. O manifesto também propõe capacitações antirracista para todos os níveis da instituição, da base à alta gestão, e medidas de responsabilização de praticantes de atos discriminatórios.
Saúde, condições de trabalho e combate ao assédio
As condições de trabalho também ocuparam lugar central nos debates. As propostas aprovadas tratam da sobrecarga nas unidades, da falta de empregados, das metas abusivas, das mudanças unilaterais nos modelos de atendimento, da pressão por resultados, do adoecimento físico e mental e da necessidade de combater o assédio moral, sexual e organizacional.
O congresso reforçou a cobrança por ambientes de trabalho saudáveis, com respeito, estrutura adequada, dimensionamento de pessoal, transparência nos processos de gestão e políticas efetivas de prevenção ao adoecimento.
Remuneração variável, carreira e transparência
As propostas aprovadas cobram que qualquer programa de bonificação ou remuneração variável seja previamente debatido e negociado com a representação dos trabalhadores, com regras claras, critérios objetivos, acompanhamento transparente e pagamento justo.
O Super Caixa foi alvo de críticas pela falta de transparência, pelas mudanças constantes nas regras e por critérios que podem penalizar trabalhadores por fatores que não dependem de sua atuação direta. Para o movimento sindical, a lógica deve ser simples: vendeu, recebeu.
As deliberações também apontam para a necessidade de valorização da carreira, respeito às funções, preservação da renda, fim das mudanças unilaterais e construção de políticas de desenvolvimento profissional que reconheçam a contribuição dos empregados para os resultados da Caixa.
Moções
A plenária final do 41º Conecef aprovou quatro moções e uma resolução política. A primeira moção foi em solidariedade a Zé Maria, presidente do PSTU, condenado a pena de reclusão por declarações em defesa do povo palestino. A moção repudia a condenação e afirma que a defesa do Estado palestino, o repúdio ao genocídio e a crítica política não podem ser criminalizados.
Também foi aprovada a moção contra a fragmentação da Caixa Econômica Federal e pela valorização e atribuição automática de função para empregadas e empregados da área de Tecnologia da Informação, especialmente lotados na Vitec.
A plenária também aprovou uma moção de repúdio à decisão da Caixa de solicitar a criação de 55 novos cargos de alto e médio escalão, com elevado impacto financeiro para a instituição. Para os delegados e delegadas, a medida precisa ser revista e explicada com transparência, especialmente diante da necessidade de priorizar investimentos no atendimento à população, na contratação de empregados por concurso público, na valorização dos trabalhadores e na melhoria das condições de trabalho.
41º Conecef aprovou ainda resolução de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A resolução destaca a importância da defesa da democracia, dos direitos sociais e trabalhistas, da soberania nacional, do fortalecimento dos bancos públicos e da preservação do papel estratégico da Caixa para o desenvolvimento do país.
Saúde Caixa Sem Teto
Ao final da votação, foi apresentada a campanha Saúde Caixa Sem Teto, em defesa da sustentabilidade do plano e do fim do limite de custeio de 6,5% da folha salarial imposto pela Caixa em seu estatuto.
A plenária aprovou reivindicações em defesa da sustentabilidade do plano, da preservação do mutualismo, da solidariedade e do pacto intergeracional, além da garantia de acesso ao plano para todos os empregados, inclusive os admitidos após 2018, no pós-emprego.
Para as entidades representativas, o teto de 6,5% limita a participação do banco no financiamento do Saúde Caixa, transfere custos para os usuários e ameaça a sustentabilidade do plano no médio e longo prazo.
Com informações da Fenae

